Jornada Literária Portal do Sertão - Ano 2012 - Buíque - Tupanatinga - Sertânia - Pesqueira - Arcoverde

 

PERFIL DOS HOMENAGEADOS

 

  • José Mauro de Alencar

    gRACILIANO RAMOS

    Graciliano Ramos (1892-1953) foi um importante escritor brasileiro. O romance "Vidas Secas" foi sua obra de maior destaque, pela qual recebeu o Prêmio da Fundação William Faulkner, dos Estados Unidos. É considerado o melhor ficcionista do modernismo e o prosador mais importante da segunda fase do Modernismo. Suas obras embora tratem de problemas sociais do Nordeste brasileiro, apresentam uma visão crítica das relações humanas, que as tornam de interesse universal. Seus livros foram traduzidos para vários países. Seus trabalhos "Vidas Secas", "São Bernardo" e "Memórias do Cárcere", foram levados para o cinema.

    Graciliano Ramos nasceu na cidade de Quebrângulo, Alagoas, em 1892. Era o primogênito de quinze filhos, de uma família de classe média do sertão nordestino. Passou parte de sua infância na cidade de Buíque, em Pernambuco, e parte em Viçosa, Alagoas. Fez seus estudos secundários em Maceió. e não cursou nenhuma faculdade. Trabalhou como revisor dos jornais Correio da Manhã e A Tarde no Rio de Janeiro, e foi diretor da Imprensa Oficial e da Instrução Pública de Alagoas.

    Graciliano Ramos estreou na literatura em 1933 com o romance "Caetés". Nessa época mantinha contato com José Lins do Rego, Raquel de Queiros e Jorge Amado. Em 1934 publicou o romance "São Bernardo" e em 1936 publicou "Angustia". Nesse mesmo ano, foi preso sob acusação de participar do movimento de esquerda, e chegou a passar por vários presídios. Essas experiências pessoais e dolorosas de sua vid, foram retratadas no livro "Memórias do Cárcere", publicado após sua morte. Graciliano Ramos morreu no Rio de Janeiro, no dia 20 de março de 1953.

    Entre as obras publicadas estão A Terra dos Meninos Pelados, literatura juvenil, (1942); História de Alexandre, literatura juvenil (1944); Dois Dedos, literatura infantil (1945); Infância, memórias (1945) Insônia, contos (1947); Viagem, memórias (1954);Viventes das Alagoas, costumes do Nordeste, 1962.

    José Mauro de AlencarLENICE GOMES

    Lenice Gomes nasceu em Olinda, viveu na cidade de Jupi, no agreste pernambucano. Escritora, Licenciada e Bacharel em História, Especialista em Literatura Infanto-Juvenil, Pesquisadora, Contadora de Histórias. Ministrou cursos, oficinas e palestras, autora dos livros infantis: "Na boca do mundo". "Quando eu digo digo digo", "O tempo perguntou pro tempo", "Brincando adivinhas", recomendado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

    Há quase 30 anos, a pernambucana Lenice Gomes escreve e conta histórias para crianças. Ela tem 16 livros publicados e é uma das principais autoras de livros infantis e infanto-juvenis do Brasil. Um deles já vendeu mais de 60 mil exemplares; dois receberam o selo de "altamente recomendável", pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 2003, foi finalista do Prêmio Jabuti, o mais importante do Brasil. Lenice Gomes tomou gosto pelas palavras ainda na infância, quando o pai, um militar precocemente aposentado, juntava a família e botava o pé na estrada, buscando uma nova cidade para morar. O pai era um homem que sabia histórias de cordel; a mãe e o avô contavam histórias. Todo esse conjunto cativou a menina, e a escritora pode ter nascido daí.

    José Mauro de Alencar

    WALDEMAR CORDEIRO

    Waldemar Cordeiro nasceu em 1911 e faleceu em 1992. Viveu parte da infância em Cabrobó e no estado de Minas Gerais e a adolescência em Sertânia. Mesmo só possuindo ensino fundamental menor (4ª série), foi fundador do Ginásio Olavo Bilac, juntamente com Abílio Monteiro e Ubirajara Chaves. Professor de Latim, canto orfeônico e língua Portuguesa, além de dar aula por Música.

    Exerceu os cargos de Diretor Municipal de Educação, Secretário-Geral da Prefeitura e Prefeito Interino. Em 1960, em congresso no Rio de Janeiro foi escolhido o 2º melhor professor leigo do Brasil. Homem culto, redigiu o Estatuto Social do América E.C, do qual foi Presidente e Diretor Cultural e ocupou a função de Tabelião Público. Criou grupos teatrais em Sertânia e Triunfo. Poeta, publicou os livros "Ondas Revultas" (1940) e "Salão de Sombras" (1992), tendo sido sócio da UBE – União Brasileira de Escritores, seção Pernambuco. Sua obra recebeu elogios de vários poetas de destaque na literatura pernambucana, a exemplo de Marcos Vilaça, Potiguar Matos e César Leal, além dos vates da geração 65 Alberto da Cunha Melo, Ângelo Monteiro e Marcos Acioly.

    Na música, além de ler partitura com perfeição foi instrumentista, executado com maestria o saxofone. Compositor de valsas, frevos, tangos, boleros, baiões, muitos em parceria com o compositor Francisquinho, tendo uma parte sido reunida no CD" Aquarela do Sertão", em comemoração ao seu centenário de nascimento. Autor do Hino Oficial de Sertânia e do Hino oficial de Alagoa de Baixo, além dos Hinos dos blocos Agá e Taí, bem como de músicas de várias campanhas eleitorais, crônicas , mensagens fúnebres e valsas de 15 anos.

    José Mauro de Alencar

    RONALDO CORREIA DE BRITO

    Ronaldo Correia de Brito nasceu em Saboeiro, no Ceará, em 1951. Dramaturgo, contista, documentarista, médico e psicanalista. Aos seis anos, muda-se com a família para Crato, Ceará. Aprendendo a ler através da Bíblia, com seu pai, passa a se interessar não só pela literatura como também pelas narrativas orais de sua região. Em 1969, muda-se para o Recife com o objetivo de preparar-se para o vestibular, ingressando na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, no ano seguinte. Nesse período, freqüenta o Departamento de Extensão Cultural - DEC da UFPE, dirigido pelo escritor Ariano Suassuna (1927), através do qual entra em contato com o Movimento Armorial.

    Mais tarde, se especializa em clínica médica e psicanálise, ofícios em que divide paralelamente às atividades artísticas. Em 1974, realiza o curta metragem ficcional para o cinema, Cavaleiro Reisado, o primeiro de um longo trabalho dedicado ao resgate e ao estudo da cultura popular nordestina. Já em 1975, dirige o longa-metragem produzido para TV Cultura, Lua Cambará, com Assis Lima, Horácio Carelli e o músico Antônio José Madureira. Com os mesmos desenvolve o projeto teatral Trilogia das Festas Brasileiras - O Baile do Menino Deus (1987), Bandeira de São João (1989) e Arlequim (1990) -, que envolve a produção de espetáculos, discos e livros. Em 1983, dirige a peça de sua autoria Maracatus Misteriosos. Depois do lançamento do volume de contos Faca, 2003, é convidado para o cargo de escritor-residente da Universidade de Berkeley, California - EUA. Atua também na área educacional e de curadoria, além de colaborar com vários periódicos, como Terra Magazine, Bravo! e Continente Multicultural.

    José Mauro de Alencar

    Raimundo Carrero

    Raimundo Carrero de Barros Filho nasceu em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, em 1947. Romancista e contista. Na adolescência mudou-se com a família para o Recife, e teve seu primeiro contato com a literatura ao encontrar caixas de livros abandonadas por seu irmão mais velho, que se tornara artista de circo. Cursa ciências sociais na Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, mas profissionalmente torna-se jornalista. Atua na televisão, no rádio e no Diário de Pernambuco, onde permanece por 25 anos. No início dos anos 1970 participa da criação do Movimento Armorial, liderado pelo escritor Ariano Suassuna (1927), que na ficção representa a retomada de temas pertencentes à literatura oral e popular nordestina.

    Um de seus contos, O Bordado, a Pantera Negra, é usado para ilustrar a prosa do movimento, em brochura publicada em 1974. No ano seguinte lança seu primeiro romance, A História de Bernarda Soledade, a Tigre do Sertão. Como professor, leciona na UFPE de 1971 a 1996 e em 1989 funda a Oficina de Criação Literária, no Recife, dedicada a jovens interessados na carreira de escritor. Em 2005 seus três primeiros romances são publicados num único volume: O Delicado Abismo da Loucura. Em 2010, sofreu um acidente vascular cerebral. Dois anos depois, já recuperado, volta à oficina literária na Academia Pernambucana de Letras. Atualmente é membro da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, ocupa a cadeira nº6.

    Raimundo Carrero é um dos escritores mais premiados deste país, com reconhecimento da crítica e dos leitores. Com As sombrias ruínas da alma ganhou o prêmio Jabuti, conquistando ainda os prêmios Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, com Somos pedras que se consomem, além do prêmio Revelação do Ano, em Porto Alegre, com o romance Viagem no ventre da baleia. Em 2008, foi finalista do prêmio Portugal Telecom com O amor não tem bons sentimentos, que também apareceu na lista dos melhores do ano dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. Em 2010, por A minha alma é irmã de Deus, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional, de melhor romance do ano, e o Prêmio São Paulo de Literatura, como melhor livro do ano.